Tudo o que você sempre quis saber sobre e-waste mas não tinha para quem perguntar!!!
Existe uma grande preocupação hoje em dia com o chamado “e-waste” ou lixo eletrônico.
Não tanto no Brasil pois ainda temos um grande mercado paralelo onde nosso celular velho e sem graça (e com apenas 1 ano de uso!!!) vai para o cunhado chato, o computador antigo para o primo e assim por diante. Isso sem falar que pouca gente troca os eletrônicos com frequência. Mas nos grandes mercados como EUA isso não é tão comum pois como eletrônicos são relativamente baratos, o consumo é altíssimo.
Então o que fazer com esses eletrônicos velhos, já que não devem ser jogados simplesmente no lixo?
Mandam para a reciclagem claro. Basicamente o que você faz é tirar aquilo de vista. “It is now somebody else problem” ou agora não é mais problema meu.
Então o 60 Minutes, um programa jornalistico da CBS de grande reputação (lembram do filme “O Informante”? O programa em questão era o 60 minutes) resolveu dar uma olhada no caminho que parte desse e-waste faz e o que ele viu não é realmente surpreendente para quem tem uma visão mais realista do mundo, mas deve ter chocado a audiência nos EUA.
O video esta abaixo, em inglês. Eu não vou conseguir legendá-lo mas segue alguns pontos centrais:
Primeiro o pessoal do programa foi até uma empresa especializada em reciclagem de eletrônicos em Denver, Colorado. Essa empresa diz que não manda o e-waste para fora do pais, que tudo é tratado em solo americano, bla bla bla.
Então a produção do programa seguiu um dos conteiners de material (que nesse caso era tubos de CRT, que são proibidos de serem exportados como lixo, pois são extremamente tóxicos, de acordo com várias leis federais e mesmo em âmbito mundial) e descobriu que ele acabou em Victoria Harbour, Hong Kong.
Dai o que se segue é ele indo a uma cidade chinesa onde funcionam grandes centros de reciclagem. Claro que quando ele chegou em seu vistoso carro e com a credencial de jornalista, foi mandado para o escritório do prefeito, que mostrou para ele apenas o que interessa. O menos feio.
Então ele voltou no outro dia em um carro simples, por uma estrada secundário e conseguiu entrar no que não é nada mais que um gigantesco lixão de eletrônicos.
Pessoas derretendo placas de CI em acido para remover ouro e outros metais preciosos. Outras pessoas colocando literalmente as placas de CI no fogo para ir arrancando os componentes. Claro que ninguém usava EPIs e tudo era feito de maneira precária.
Como o entrevistado bem elucidou: Estamos mandando lixo do seculo XXI para um lugar com praticas do século XVII (ou outro seculo qualquer, não lembro exatamente, mas era um seculo antigo).
Rios de acido. Lixo toxico em todo lugar. Alto índice de abortos e câncer na população local.
Quando foram descobertos foram ameaçados de espancamento e outras coisas mais e tiveram que sair correndo do lugar. Claro que eles não querem que o dito mundo civilizado veja o quão incivilizado é o tratamento do lixo que eles jogam fora. Senão afinal o mundo civilizado teria que fingir se importar.
De volta a Denver o cara do programa chegou para o CEO da empresa de reciclagem e perguntou:
- Ei, vocês não mandam e-waste para fora certo?
- Claro que não, tudo é tratado aqui , respondeu o CEO.
- Hey, eu segui esse contêiner cheio de CRT daqui até Hong Kong , rebateu o cara do programa.
- Não é nosso não…. blá blá blá
E ficou com cara de frigideira, pois um contêiner pode ser rastreado indubitavelmente. Depois os advogados da empresa entraram em contato com os produtores do programa e disseram que o contêiner foi mandado sem o conhecimento da empresa (hahahahaha).
Em suma, o que ele prometia fazer não cumpria (e por essa promessa ele tinha contrato com algumas prefeituras e órgãos estatais), além de violar várias leis.
Para mim é meio obvio que a China alem do maior exportador de eletrônicos do mundo é também o maior receptor dos mesmos eletrônicos para “reciclagem”. Assim como a India é o ferro velho do mundo. Tudo quanto é navio é encostado lá para ser devidamente reciclado.
Mas eu fico imaginando são as pessoas que entregavam seus e-waste para essas empresas (pois é claro que essa não é uma pratica solitária), alguns com a maior boa fé, esperando um final feliz para seu lixo, outros mais cínicos vendo o que fingiam não existir. Como reagiram a isso?
É fato que o lixo eletrônico cresce em ritmo exponencial nas grandes economias e isso não exatamente igual aquele monte de papel que a gente guarda em algum lugar e só percebe a montanha quando se muda. Um computador ocupa um espaço considerável… mesmo um telefone celular ocupa um espaço considerável. Mas a maior parte desse assim chamado lixo não seria visto da mesma forma em outras partes do mundo. Não seria mais interessante adotar a nossa pratica de repassar os eletrônicos para frente, mas nesse caso, em vez de um primo ou um cunhado… para um pais menos abastado?
Eis uma frase interessante que eu pincei do post do Engadget, que foi minha fonte:
So while we give Greenpeace’s self-congratulatory promotions and oft-subjective “Guide to Greener Electronics” company ratings the occasional hard time, their attempts to raise e-waste awareness are commendable. Now go ahead, check the video from 60 Minutes’ intrepid reporters after the break and let the guilt wash over you.
“Enquanto o Greenpeace através de suas campanhas-de-auto-felicitação e o subjetivo “guia para eletrônicos mais verdes” dão às empresas alguma eventual dor de cabeça, suas tentativas de aumentar a consciencia a respeito do e-waste são louváveis. Agora vá em frente, assista o video dos intrépidos repórteres do 60 minutes e deixe a culpa banhar você (ou te cobrir, depende o quão culpado você se sinta, hehehehe)”.
Eu particularmente não acho que o estado-unidense médio vai se sentir culpado. Apesar que o 60 Minutes costuma causar alguma comoção nos telespectadores.
O video abaixo, do Current TV é um pouco mais verdade nua e crua, mais chocante que o do 60 Minutes.
Os videos valem a pena. Mesmo que você não entenda inglês, as imagens são bastante auto-explicativas.



















