Os icones e a punheta psicológica
Hoje li um artigo do jornalista Fernando Canzian em que ele fala da “brodagem cultural” existente por aqui. Concordo totalmente com ele. Mas vou além e digo, o que existe aqui é uma punhetação com os medalhões, seja do que for.
Em algum ponto a personalidade se torna icônica, impassível de erros, deslizes, gafes ou simples falta de talento. Se tornam deuses.
Vejamos o caso especifico do João Gilberto. Um grande interprete, ícone da bossa nova, etc. Mas atrasa um show em 96 MINUTOS (mais de uma hora e meia) e tudo bem, tudo legal. Afinal ele é o João Gilberto, portanto pode tudo. Inclusive reclamar da platéia.
Mas no artigo diz que no Carnnegie Hall ele atrasou 5 minutos. Por que o publico de lá merece mais consideração que o publico daqui? Simples, porque lá a audiência iria embora, pediria o dinheiro de volta e alguns ainda processariam a organização do show. Aqui ficaram quase todos com cara de frigideira esperando o “icônico” João.
Caso interessante é o “rei” Roberto Carlos. Alguém pode me dizer o que Roberto Carlos fez de bom nos últimos 30 anos? Além de desfilar por ai com seu indefectível terno branco e camisa azul… com penas penduradas na orelha… ou criando pérolas como “… coisa bonita, coisa gostosa… quem foi que disse que tem que ser magra para ser gostosa…”? Mas o incrível é que as pessoas que aplaudem isso batem no apoCalypso, mas para mim ambos tem o mesmo nível. Ambos são ruins.
Outro caso é o outro “rei”, Pelé. Eu não entendo o porque dele ser chamado de melhor jogador do universo conhecido. Sou mais um Garrincha que dois Pelés. Ah… mas o Garrincha enfiava o pé na jaca, comia a Elza Soares e pulava o muro da concentração para fazer filhos pela Suécia. Ele não dedicava gols para as criancinhas por ai, enquanto seus bastardos eram esquecidos e só reconhecidos pela força do DNA. Agora a ultima foi declarar que se ele tivesse jogado em uma Olimpiada o Brasil já teria uma medalha de ouro na modalidade. Menos Pelé, menos.
Tem muito mais casos, como por exemplo Legião Urbana que é um lixo, mas todo mundo adora e ninguém ousa apontar os problemas. Ou o Paralamas que era ao lado do Skank a banda mais inovadora da musica brasileira, nunca se repetindo e sempre inventando algo. Depois do acidente com o Viana a qualidade decaiu muito, mas ninguém fala. Porque Herbert Viana se tornou um medalhão.
E o que foi o fenômeno TRIBALISTAS? 3 medalhões se juntam, Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown (não me pergunte) e gravam um disco digno de ser usado em sessões de tortura medieval para fazer as pessoas se confessarem bruxas. Quantas criticas na época em relação a esse atentado? Marisa Monte talentosa, mas com “sorte” de ter namorado o Nelson Mota. Senão ainda estaria tocando em barzinhos nos EUA. Arnaldo Antunes… esse se perdeu totalmente depois que saiu do Titãs. Sem falar naquele corte de cabelo. Já o Carlinhos Brown… eu nunca entendi qual foi a colaboração dele na cultura, mas imagino que ele não seja o maior orgulho do sogro, esse sim um dos maiores compositores da historia, alguém que sabe fazer musicas que duram para sempre, apesar da voz apenas medíocre.
Mas (in)felizmente isso não é privilégio do Brasil. Veja o caso Beatles. Ou Elvis Presley. Considerar os Beatles a maior banda de rock de todos os tempos é no mínimo “catarata auditiva” se é que isso existe. Os Beatles tem uma coleção de canções memoráveis, mas apenas um disco insuperável, que é o Sgt. Peppers. Muito pouco para “a maior banda de todos os tempos”. E em relação ao rei, pai ou whatever do rock, nem de longe é o Elvis. Para mim o rock como o conhecemos hoje surgiu por causa de Chuck Berry. Ponto.
Os casos se extendem e muito, em todas as areas. É até o suficiente para um livro.
O fato é que o homem (espécie, e não gênero) precisa de idolos, alguem para admirar e seguir e quando alguem chega ao status de ícone, tende-se a apenas ver as qualidades (mesmo que escassas) e ignorar os defeitos (mesmo que abundantes) e iniciar a punheta psicológica, alimentando o ego do ícone.
Pronto, falei.
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