Enfim assisti ao aclamado filme do Danny Boyle e digo: ele já fez coisas bem melhores. Mas o filme mexe com sentimentos primários como amor, amizade, irmandade, pena e tudo mais que comove o mundo dito civilizado.
E o Danny soube vender esse peixe muito bem.
O filme conta a historia de Jamal Malik, um indiano mulçumano que cresceu no meio da extrema miséria e se torna o grande vencedor de 20 milhões de rupias, uma fortuna na India (equivalente a quase 900 mil reais… o que aqui não seria o suficiente para comprar um apartamento na beira-mar, mas na Índia é realmente uma fortuna de respeito). Desde pequeno ele só se fode para começar por ser mulçumano, o que não é fácil na Índia… tanto é que os mulçumanos indianos tiveram que fundar seu próprio pais, o Paquistão.
É fato e notório que a Índia é um dos países mais miseráveis e desiguais do mundo, perto da Índia o Brasil é Dinamarca. E essa miséria e desigualdade permeia todo o filme. E em relação a estética do filme, por mais que o Danny Boyle negue, é claramente inspirada em Cidade de Deus. Inclusive em alguns momentos dá para imaginar o irmão do Jamal sacar a arma e proferir a imortal frase: “Dadinho é o caralho, meu nome é Zé Pequeno, porra!”.
Mas apesar de toda a desgraça que acontece na vida do cara, o mote do filme não é esse e sim o mais primário dos sentimentos: o amor. Sim, o filme é uma historia de amor… daqueles românticos para fazer sua namorada olhar para você no fim do filme e falar: “por que você não pode ser que nem ele?”.
Se o mote do filme é o amor, o recheio é: como um favelado, pobre, desgraçado, filho da puta pode saber tantas respostas? Tanto que ele é preso e torturado para revelar suas fontes… ainda no meio do programa. E a cada pergunta que o interrogador fazia vem o flash back da vida miserável dele de como ele sabia as respostas. Mas o pior não é ele saber as respostas… mas a dificuldade das perguntas. Para se ter idéia, a pergunta de 20 milhões de rupias era: “No livro de Alexandre Dumas, os 3 mosqueteiros, sendo Arthus e Portus dois mosqueteiros, qual é o nome do terceiro? Dãããããããããã. E era ainda por cima múltipla escolha!
De qualquer modo, o filme é um bom divertimento, mas não motivo para aclamação como foi. Edição bacana, trilha bem colocada, uma atriz lindíssima, mas só. Uma boa sessão pipoca. Só contou pontos extras por ter sido criativo nos créditos finais. Recomendo espalhar curry pela sala para entrar mais no clima.
Um momento engraçado é quando o pequeno Jamal leva um casal de americanos para conhecer a “Índia real” e enquanto eles estão conhecendo o pessoal da favela depena completamente o carro deles. AI na volta o motorista indiano começa a espancar o garoto e ele grita: “Não queriam conhecer a Índia real? Essa é a Índia real” no que a mulher responde “então vamos te mostrar a America real, e manda o marido dar dinheiro para ele. Mas não é um filme político ou de protesto. Danny filma como os cinematografistas da NatGeo filmam as savanas.
Ah, primeira imagem que ilustra o post é do pequeno Jamal coberto de merda, em uma das cenas mais nojentas que eu ja assisti.
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